sexta-feira, 19 de março de 2010

O Coito



Após alguns anos de estudo de Direito cheguei à conclusão que afinal as minhas primeiras noções jurídicas vieram muito antes de eu saber sequer ler.
Não me refiro à distinção entre o bem e o mal e às questões éticas básicas que nos são transmitidas pelos nossos pais e das quais o Direito se apropriou para fundamentar muitas das suas decisões. Refiro-me a coisas que as crianças sabem e que aprendem umas com as outras, refiro-me àqueles jogos que ninguém sabe se foram inventados ou se são todas as crianças que os descobrem sozinhas. Àquelas regras estritas e gravadas em pedra, absolutamente inquestionáveis e cuja fundamentação é tão óbvia que um "porque sim" basta para que a mera tentativa de roçar a sua legitimidade caia por terra.
Regras de tal forma intrínsecas à condição humana que acabam por ser posteriormente positivadas em ramos como os Direitos Reais, o Direito Penal e Processual Penal ou o Direito Fiscal e que fazem parte da nossa consciência jurídica, acabando por fundamentar até opções culturais, sociais, económicas e políticas.

Vejamos o primeiro exemplo. O princípio da prioridade do registo expresso no Código do Registo Predial (que neste momento se encontra noutra divisão e que por isso não vou indicar o número do artigo). Se perguntarmos a uma criança (trocando os termos por miúdos) porque é que o primeiro registo prevalece sobre o outro ela dir-nos-á, sem ter tido quaisquer ensinamentos de Direitos Reais: porque ele foi primeiros.
É simples, inquestionável, não tem base legal e funciona. Quando se é primeiros, é-se primeiros. Se ambos querem brincar com o mesmo boneco, é aquele que pegou nele em primeiros que vai brincar.

Segundo exemplo. O princípio da culpa. Grosso modo e sem grandes preocupações terminológicas diz o seguinte: a pessoa deve responder na medida da culpa que teve na prática ou omissão de um determinado acto. Se eu dou um tiro em alguém e o deixo a esvair-se em sangue e essa pessoa posteriormente leva com um raio que acaba por ser a sua causa de morte, então eu não serei punido por homicídio mas antes por tentativa.
Em suma, quem tem a fama tem o proveito. Se vou para a cadeia por ter cometido um homicídio, ao menos que tenha o proveito de ser a efectiva causa da morte. Se me vão pôr atrás das grades por tirar a vida de alguém então deixem-me tirar a vida a alguém.
Isto não difere muito do "tu foste o último a tocar". Qualquer criança que tenha de deitar fora um papel e consiga enganar o colega para que ele segure nesse papel, então é este último que tem de o deitar fora. Se esse colega deitar o papel para o chão, então o primeiro não é responsável porque ele não foi o último a tocar.

Terceiro exemplo. Nulidade da prova processual penal. Uma câmara de um multibanco apanha uma pessoa do outro lado da rua a roubar um carro. A prova é inválida.
Porquê? Porque "não vale" e como não vale, "tá stop". Se "tá stop" então "não sei de nada", não vale.

Quarto exemplo. Não retroactividade da lei fiscal. É proibido ao Estado criar impostos que tenham de ser pagos por épocas correspondentes antes à data da sua entrada em vigor.
Porquê? Porque "tu não avisaste". Qualquer criança a jogar às escondidas e que esteja à procura dos colegas escondidos sabe que, finda a contagem para destapar os olhos, tem de avisar que vai a caminho ou, no mínimo, antes de afirmar que viu alguém tem de gritar "um, dois, três, ... não salva ninguém". Senão não vale porque ele não avisou.

Tudo isto para chegar ao último exemplo. O Coito.
Recentemente o PS, juntamente com o PSD, decidiram, num esforço conjunto para capturar receitas fiscais e reintroduzir em circulação o dinheiro ilegalmente transferido para offshores, permitir àqueles que para lá o deslocaram ilegalmente, transferi-lo de volta para Portugal pela módica quantia de 5% dos montantes em questão.
Portanto, o Estado estava a brincar à apanhada com aqueles senhores, no entanto, como em qualquer jogo da apanhada, como as crianças se cansam de correr, há que haver um porto seguro, um "coito" onde "não vale" apanhar. No entanto, o coito tem um limite. Não se pode ficar no coito o jogo todo, não só porque não tem piada, como "porque sim".
Por esses motivos, para se vir para o coito tem de se ser rápido e de ter oportunidade para sair de lá sem ser apanhado.
Toda a gente sabe que quem está a apanhar não pode ficar colado à pessoa que está no coito à espera que ela tire de lá a mão para a apanhar de seguida. Daí que quem está a apanhar tenha de "dar espaço".
E mais, aqueles que já foram apanhados - e estão sentados à espera que os salvem ou que o jogo acabe - não podem alegar que não sabiam que o coito era ali ou que enquanto eles estavam a jogar não havia coito. Não, porque isso não vale.

Conclusão: As coisas são simples. Nós sabemo-las enquanto crianças, questionamo-las e complicamo-las enquanto adultos e acabamos por dizer o mesmo por outras palavras.
Não sei se o melhor do mundo serão as crianças. Mas parece-me que podem muito bem ser o melhor legislador.

domingo, 14 de março de 2010

A vida sexual de Cavaco Silva (Actualizado)

Confesso que há já algum tempo que o Presidente da República me irrita.
O facto de não falar sobre o que deve, falar sobre o que não deve e às vezes falar sem que se saiba se falou do que devia ou não, andava a moer-me havia já algum tempo.
No entanto, foi só quando vi a Grande Reportagem da SIC sobre o dia do Presidente da República que tive um "snap".
Aqueles formalismo e moralismo forçados, aquela constante referência a si próprio enquanto Presidência da República, a constante referência ao quão simples o casal presidencial é e como gostam de coisas do povo, mexeu-me com os fígados.
Em resultado, decidi fazer uma montagem e compor uma entrevista que me teria dado muito mais prazer a assistir do que àquela infeliz reportagem que passou na televisão.

Não tive muito tempo para a fazer por isso desculpem lá qualquer coisinha
Todas as filmagens e vozes são directamente tiradas da dita reportagem à excepção da voz abichanada do entrevistador.



(Cena cortada no fim)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Acordo Ortográfico

Ilustres frequentadores d'O Legislador Ordinário,

Chega uma altura na vida de um homem (e de uma mulher, desde que não o diga dirigindo-se a um homem) em que temos de dizer: não!

Recentemente foi criado um grupo no Facebook para os opositores do Acordo Ortográfico, agarrados à velha língua (ah, saudades da velha língua) lusa e que se opõem à colonização linguística por parte das nossas ex-colónias. Geralmente não me junto a grupo nenhum por nada abaixo de Gang-Bang, mas a verdade é que a ideia de ser legalmente obrigado a dizer "tomar na bunda" e a ver-me vedado o direito de "gozar com homens" põe-me biruta.

Quanto à utilização do trema ( ¨ ), ainda concedo. Demorei anos a dizer a palavra exequível por receio de, incorrectamente, pronunciar ou omitir o som do "u". Agora recuso-me a viver em constante medo de ser violentamente esbofeteado de cada vez que pedir tapas num restaurante ou a receber sorrisos de escárnio de cada vez que pedir uma Bocata.
E, acima de tudo, recuso-me a adoptar o insulto "moleque pentelho" para tratar mal crianças.

Por tudo o exposto e por muito mais, apelo a que se rebelem contra o Acordo Ortográfico e que mandem os cafajestes (sim, é com j e não com g, vá-se lá saber porquê) viadões que se lembraram disto sentar-se numa rola ou num pinto e ir para o agasalho-de-pica da garota de programa da mãe deles. Porra!


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mário Crespo

"Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta" Fernando Pessoa















Geralmente abstenho-me de publicar seja que opiniões forem acerca do mundo político, em parte porque percebo quase tanto de política como de futebol, em parte porque apenas teço considerações com base em factos "beyond reasonable doubt" (noutra parte porque todos os políticos me convencem e acabo por não saber em quem acreditar). Porém, este indivíduo cujo próprio apelido está em contradição com a calvície que ostenta naquele polido (este sim, um valente cronista) crome-dome, começa a agitar-me os fígados.

Reconheço o direito de qualquer um à sua opinião e respectiva manifestação, tal como reconheço a liberdade de imprensa temperada apenas pelos limites legais e - desejavelmente - de fundamentação lógica e sustentável.
No entanto, entendo que uma opinião, para ser publicada num jornal, deve ser apresentada com base nas seguintes premissas: apresentação do problema, apresentação dos factos, interpretação dos factos, relação entre os factos apresentados como suporte do problema e a tese que se pretende sustentar e, por fim, conclusão.
Quando a opinião é fundamentada naquilo que um amigo nosso nos contou que um Primeiro-Ministro disse em conversa num espaço público com outras figuras públicas e se aproveita um cenário político já de si "inflamável" para se publicar uma crónica que será necessariamente interpretada pela opinião pública como correspondente à opinião da redacção do jornal, então temos de colocar um limite.

Bem sei que uma crónica é um espaço de livre opinião e que, muitas vezes, vemos escritas baboseiras que não lembram a ninguém e que, ainda assim, são legitimamente expressas com base naquele direito constitucionalmente garantido e fundamental da democracia que é a liberdade de expressão. É mais ou menos como dar uma tela e um pincel para as mãos de alguém. Tanto pode sair uma Mona Lisa como uma cagada à  Pollock que até pinta o chão e a parede. Mas ainda assim, se demos o pincel para as mãos (aguardo um comentário Priapista para esta expressão), temos de aguentar as consequências - ou, caso assim pretendamos, cabe-nos a nós forrar o chão a papel de jornal para evitar semelhante situação (de preferência utilizando as páginas das crónicas do Mário Crespo).

É certamente uma restrição (e aqui não utilizo o termo jurídico-constitucional do termo, mas sim o conceito social de restrição) à liberdade de expressão de um jornalista dizer-se que este não pode publicar a sua opinião por ela ir contra o poder político. Não é, contudo, inadmissível a proibição da publicação de uma crónica num jornal simplesmente por a gravidade das acusações não ver qualquer tipo de correspondência na força da sua fundamentação. Quer isto dizer que qualquer opinião numa crónica deve ser fundamentada em factos indesmentíveis e susceptíveis de serem apresentados como prova? De todo. Estamos perante um artigo de opinião e não perante um artigo científico. Mas há que reservar ao Director do Jornal o poder de evitar a publicação de acusações e calúnias fundamentadas apenas e só naquilo que um amigo nosso nos disse que ouviu ser dito num restaurante público. Especialmente quando estamos perante políticos extremamente inteligentes e calculistas - como é o caso de José Sócrates, quer gostemos que não gostemos dele - que dificilmente deixariam escapar em público, especialmente no contexto em que vivemos, urros de raiva contra jornalistas específicos e desejos de os silenciar, o que só serve para descredibilizar ainda mais a fonte.
Quer dizer que se eu, em público, disser que estou capaz de cortar os tomates ao gajo que me riscou o carro, devo poder ser acusado em hasta pública de tentativa de castração em retaliação de danificação do meu património? Bem sei que o Primeiro Ministro não é qualquer pessoa, mas ainda assim é alguém que tem todos os direitos de um cidadão comum, ainda que alguns tenham uma menor intensidade.

Não simpatizo com o Governo, não tenho orientação política específica e as minhas convicções políticas são retalhos arlequinescos de coisas que vi, li e ouvi. Mas antes de cedermos a esta histeria em massa e a esta absorção sem filtro de opiniões de autoridades e da maioria simplesmente pela sua natureza e a esta medieval festa no caminho para a fogueira dos condenados não-julgados, é melhor pararmos, ouvirmos e pensarmos.

Cumpre ainda acrescentar que um artigo de opinião é uma manifestação de interpretações e conclusões com base em factos ou simplesmente em sequências de raciocínio. Não cabe, a meu ver, no artigo de opinião, a simples apresentação de factos, cuja prova é impossível e dificilmente admissível, ditos indesmentíveis, para total apresentação do pensamento. Cabe perguntar se a posição que era defendida antes da apresentação desses "factos" não terá sido o motivo pelo qual eles foram apresentados, agora sob a impenetrável armadura de uma confissão alegadamente obtida através do PIDEsco método da escuta das conversas da mesa do lado.

Um amigo meu acha que é isto...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

When you bone a woman tell her that you really want her

Após este longo interregno em que me vi impedido de tatuar na blogosfera a vardasquice que me corre pelo cérebro e que tanto me dificulta o estudo, surge a hora de catapultar mais qualquer coisinha para a parede e ver a forma com que fica - e se, de algum modo, parece uma nuvem.

Uma vez que a maior parte daquilo que escrevo me surge na mente aquando da costumeira esbodegadela de tranca bochechuda, e considerando que o estudo pouco tempo tem deixado para isso, tenho-me vindo (não com a frequência ou do modo desejado, como já se sabe) a desleixar no que concerne à labregage.

Foi só recentemente, após ter revivido uma cena do Padrinho na 1ª pessoa, quando acordei ao lado de uma cabeça de cavalo agarrada àquilo que era o corpo de uma potencialmente-rebitesa-quando-era-mais-nova-não-fosse-a-propensão-para-as-gomas, que tive uma das tradicionais epifanias. Porém, dado o receio de que a Seabiscuit acordasse, mantive a ideia em bruto e decidi fazer-me à estrada.
Levantei-me, tirei as tradicionais fotos enquanto ela dormia para postar no meu outro blog, fiz os tradicionais desenhos na sua face e antes que o efeito do Flunitrazepam passasse, esgueirei-me pelo corredor, passei o quarto dos netos e saí rumo a casa.

A revelação que tive, não foi bem, bem uma revelação, uma vez que já me ocorrera noutra altura, mas entretanto varreu-se-me e depois é que regressou, mais ou menos após a terceira dose de desfibrilhador no meu soldado-alemão que se recusava a trabalhar ao ver a tisnada e tenebrosa floresta em que insistia em fazê-lo aventurar-se. O que me ocorreu foi o seguinte: é impossível fazer-se amor.

Dir-me-ão que a idéia é pouco original e que é mais um texto a falar da tradicional insensibilidade dos homens durões e de como ludibriam as mulheres com promessas de amor e casamento para conseguirem que elas lhes dêem boa punáni. Ao que vos replicarei fazendo minhas as palavras de Eddie Murphy aqui (dos 12 aos 33 segundos do video).

Vou imiscuir-me de fazer qualquer incursão pela própria expressão "fazer amor" porque já está mais batido que a masturbação e vou passar já para o tema em si.

Fazer amor é mais um eufemismo para um acto que, de tão cru e bardajosca, faz com que a maior parte do greledo ou do salamedo-que-raramente-arranja-greledo (hoje deu-me para a hifenização) se sintam coibidos ou até vexados de/por o chamar pelo seu verdadeiro nome, ou pelo menos por um deles.
Na tentativa de camuflar com exterior de florista um acto que mais facilmente seria comparável a uma praça ao sábado de manhã (com cheiro a peixe, chão molhado e escorregadio e, no meu caso, velhas), o que se fez foi remover todos os indícios de que ali há uma praça e pôr uma placa a dizer "Florista" para que os clientes se convençam mesmo que ali podem comprar flores. Mas, por surpresa (para alguns), quando lá chegam deparam-se com um balcão de chaputas de boca escancarada a olhar para eles.

Não há nada de romântico no sexo. Há fluidos, há odores, no meu caso há muita pêlo, há sons desconfortáveis, há cabeçadas e, se for bem feito, há porrada.
O "fazer amor" não passa de uma expressão forjada pelo entesoado galanteador que pretendia fazer descruzar as pernas de uma qualquer ingénua e pouco depilada donzela medieval sem ter de recorrer a um tijolo e ao, infelizmente caído em desuso, tradicional arrastar dela até umas escadas recônditas.

Actualmente, porém, a proposta de "fazer amor" a um indivíduo do sexo oposto não é tão boa ideia como antigamente, quando vigorava o ideal romântico da fusão de duas almas numa e da bombada ao som de Bryan Adams em câmara lenta. Mulher do século XXI que se preze, a menos que seja muito feia, muito católica, ambos, ou tenha conismo, não se sente sequer remotamente entesoada pela proposta de "fazer amor", seja onde for.
Poderemos pensar que é boa idéia na altura sugeri-lo, mas permitam-me fazer uma breve ilustração acerca das boas idéias: imaginem que vão no carro a ouvir a "Killing in the name of" dos Rage Against the Machine em altos berros e que, subitamente, mesmo na parte final da música (mais precisamente a partir dos 4:15 minutos), passam um vermelho e a polícia manda-vos encostar. Ora, nesta fase da música já nós ouvimos umas 12 vezes a provocação do vocalista que nos diz "and now you do what they told ya / and now you're under control" e estamos mesmo fartos. É também nesta fase, quando o bigodudo agente da autoridade nos manda baixar o vidro do carro que chegamos aos 4:36 minutos da música e nos sentimos compelidos a lutar contra a força repressiva do sistema. De seguida, aumentamos o volume da música e cantamos com o vocalista "fuck you I won't do what ya tell me" e arrancamos, deixando o porco a comer o nosso pó. Mas entretanto a música acaba... e percebemos que acabámos de fugir à polícia. E era isto que eu tinha a dizer das boas idéias.

Posto isto, e retomando o tema que me ocupa, é bastante fácil ver o quão nociva tem sido a idéia de fazer amor na História do mundo Ocidental através duma breve excursão pelo mundo cinematográfico.
Se o ser humano reconhecesse que fazer amor é, na verdade, arrebimbar o malho e que se calhar até nem é nada de espacial, então poderia aprender a partilhar o/a parceiro/a com os outros. Veja-se o meio-Avatar William Wallace do Braveheart. Custava-lhe assim tanto ceder a Prima Nocte ao soldado? Era preciso desatar a matar aquela gente toda?
Veja-se o First Knight com o Sean Connery e o Richard Gere em que este é o Lancelot. Custava assim tanto ao Sean Connery emprestar a Julie Ormand por um bocadinho? Ele já na altura era octogenário. Mas não, é preciso mais porrada.
Veja-se o Irreversível com a Monica Bellucci e o Vincent Cassel. Era preciso andar à extintorada?
E nem vou entrar na merda do Romeu e Julieta porque é o pior filme do DiCaprio.
As verdadeiras relações, sem sentido de propriedade e sem a bichanice do "fazer amor" são as do Ken Park, do Fight Club, do Uma Casa no fim do mundo e até uma das retratadas no mais recente filme do Woody Allen, o Whatever Works.

Honestamente, preferem a bombada à Ben Affleck no Armageddon ou a do Michael Douglas no Instinto Fatal ou a do Billy Bob Thornton no Monster's Ball?

Por algum motivo as cenas de amor nos filmes não têm mais do que breves momentos e não mostram o orgasmo de nenhuma das partes. Seja no Armageddon, no Titanic (embora aqui seja mais duvidoso por causa da cena do carro, depois auto-plagiada no Revolutionary Road), no Pearl Harbor (embora aqui houvesse potencial, caso ela andasse a rodar a vizinhança às claras e não às escondidas), Top Gun, etc. Porque não há nada de romântico nisso. Uma boa demonstração desta idéia de os filmes românticos saltarem a parte do orgasmo está no filme Pleasantville quando o Jeff "Dumb" Daniels, que interpreta um personagem de ficção recentemente chegado ao mundo real e é confrontado com uma situação de sexo real.

Por esse motivo sugiro a substituição da expressão "fazer amor" por "esbimbalhar" e que sejam abolidas todas as músicas do Bryan Adams (menos a Summer of 69 porque essa até dá jeito), as paneleiras do Bon Jovi e que executem o André Sardet. Admito a utilização de Barry White, mas mais não.
Gaja que ouve Bryan Adams com as suas letras a pingar mel(da, se me permitem o cebolinhismo) é gaja insatisfeita de certeza. Porque vai exigir que choremos e vai perguntar-nos se vimos os nossos filhos por nascer nos olhos dela (como diz o Bryan Adams na letra para que remeto) quando nós só nos vimos no olho dela.
Por fim: parem de se fazer de esquisitas, acendam a luz e aprendam a ir às compras sozinhas sem o tradicional cruzar de pernas de duração semanal quando recebem um não a um convite destes.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Não percebo nada de Futebol

Depois de um dia de aulas (ou meio, se formos perfeccionistas e contarmos as teóricas), encarneirado no meio da multidão, lá me dirigi para o metro, passei pela cancela que já me tinha recebido de manhã, segui para a passadeira rolante como gado para o matadouro, cheguei à estação de comboios e consegui arranjar um lugar onde não havia gente a bafejar-me o fumo de duvidosa legalidade que é expirado nas estações de comboio por gente de igualmente duvidoso civismo.


Finalmente podia ter aquele momento de vazio cerebral alternado de ideias estúpidas que geralmente nunca chegam a ver a luz do dia (hoje foi a ideia de formar uma banda de rock político com cavaquistas e guterristas eléctricos).
Esse momento foi particularmente curto porque breves momentos após o gentil alapar do meu traseiro no frio, metálico e desconfortável banco da estação, houve um sujeito que se sentou ao pé de mim e me perguntou pelo Benfica.


Ora, há poucas coisas das quais eu percebo menos do que desse viril e patriótico jogo, no qual por vezes se canta o hino com louvores aos nossos "igreijos avós", que é o futebol.


Lentamente rodei o pescoço em direcção ao alusitanado espécime de benfiquista que tinha perto de mim (pobre em altura, rico em largura e bigode) e sem querer fazer o já tradicional franzir de ombros que resulta num olhar de desdém em relação a mim e aos livros que por vezes tenho comigo, como que dizendo: "andas na faculdade então não ligas ao desporto do povo", e decidi tentar colaborar naquele diálogo no qual eu esperava, como é tradicional em conversas deste género, que me bastasse emitir um conjunto de opiniões vagas que seriam o suficiente para permitir ao outro lado brilhar de cultura futebolística (mantendo, sempre, em mente que o último jogo do Benfica que vi tinha o João Pinto como titular).


Ora, estando numa estação ferroviária, encontrando-me eu disperso na altura da abordagem por parte do referido indivíduo e tratando-se do Benfica, foi-me, logo à partida, difícil continuar a conversa sem fazer referência ao Enke. Mas, consegui resistir bravamente ao humor de mau gosto que tantas vezes me deixa em situações embaraçosas e que teve o seu último auge no momento em que comparei o comboio das 8.30 da manhã aos de Auschwitz, acrescentando que qualquer maquinista que efectuasse o transporte das pessoas nessa época se demitiria antes de aceitar fazê-lo naquelas condições - motivo pelo qual não houve resposta à minha reclamação escrita.


Com medo de cometer uma gaffe de proporções Santanescas (quem não souber ao que me refiro, pode clicar no link e ler a resposta à 4ª pergunta, ou melhor, à 3ª pergunta porque há uma que é uma afirmação), como a outrora polémica e agora já mais morna e caricata história dos concertos de Chopin em violino. 
Aproveitando este breve interlúdio, quero, desde já, referir que percebo perfeitamente porque é que Santana não sabia que Chopin não tinha concertos de violino, mas antes pensava que o nome do citado compositor constituía, isso sim, uma ordem a dar às santanetes. 
Eu próprio precisei deste escândalo para descobrir que Chopin não tinha como segundo nome Teresa e não gostava, de facto, de gelados de framboesa. Em compensação descobri que tinha concertos em acordeão.


Retomando a conversa que estava a ter com o referido sujeito, confesso que me estava a sair bem até ele ter subitamente mudado o tema para a religião, sem que eu tivesse apercebido do motivo. Parafraseando o meu recém-conquistado amigo: "é com o Jesus é que nós vamos lá". 
Demorei algum tempo a estabelecer a relação sináptica entre o Jesus a quem ele se referia e o Benfica. E foi então que, como que transsexual a passar pelo meio dos Super Dragões, tive uma epifania e lembrei-me de uma notícia que lera no jornal algures no Verão. Recordo-me de ter lido na capa de um qualquer jornal desportivo a seguinte manchete "Jesus demite-se". Se bem me lembro, na altura fui invadido por um profundo pânico e uma súbita vontade de começar a pilhar, por receio que o fim do mundo estivesse próximo. Como me encontrava numa área de serviço, recordo-me de quase ter pilhado uma caixa de Trident das verdes, mas acabei por pagá-las e acabou por se dar o efeito oposto.


Presumo que durante o tempo em que estive a fazer estas relações sinápticas tenha ficado com um olhar vazio e semelhante ao que faço nas aulas de Direito Processual Civil, pelo que o referido senhor se levantou e se foi embora.


Minutos depois chegou o comboio e depois da costumeira sova que implica a entrada neste em hora de ponta, consegui ter um minuto de paz algures entre a axila do senhor das obras e os espirros da senhora que não quer tirar as mãos dos bolsos. Foi então que ouvi: Então o Bento lá foi a andar ahn? 
E agora, religião ou futebol?




quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kafka, Blackadder e Genitais


Bordoejando uma pélvica badalada com uma qualquer alcoolizada badocha, dei por mim numa corrente de pensamentos que me desconcentraram da sublime prestação a que acostumo as fulanas que aceitam jogar Twister horizontal comigo.


Aborrecido de meia noite com aquela actividade que nunca deveria ter ocorrido, lembrei-me que a algum momento teria de chegar aquela frase - de utilidade semelhante à de tapar a boca num bocejo no deserto - que, como que mensageiro Kevin Costneriano numa púbica batalha de qualidade semelhante à do filme a que me refiro, surge aquando do (por vezes não tão) magnífico êxtase final. Falo, naturalmente, do "tou-ma vir"


Durante essa breve cogitação tive uma espécie de uma epifania, para adicionar ao pifo com que estava a ficar do bafo a Vilarinho que a minha companheira insistia em soprar na minha direcção, e que consistia basicamente no seguinte: é estou-me a vir ou estou a vir-me?


Bem sei que a pergunta parece básica, uma vez que estamos habituados a ouvir a primeira opção, mais não seja naquelas longas noites de Inverno em que nada mais temos a não ser a perna em cima da mão para aquecer, e um reles filme brasileiro que refere a palavra gostoso mais ou menos o mesmo número de vezes que aquele gajo dos Tachos na Roça.


Porém, como é que poderemos ter a certeza de que as palavras que pronunciamos não são um mero papaguear desse dialecto aportuguesado que é gemido nos filmes a que me refiro? Esta questão revela-se da maior importância, uma vez que qualquer deslize poderá denunciar o gosto (constantemente omitido do sexo oposto) que todo o homem tem pelo subentendido género cinematográfico.


É certo que a pornografia mais recente do Brasil - para aqueles de vós que se contentam com qualquer coisinha - utiliza o verbo gozar. Mas eu não sou desses, especialmente porque gozar soa-me a gozar férias e gozar férias implica necessariamente trabalho, coisa à qual manifesto a mais profunda aversão. Refiro-me ao verdadeiro vintage brasileiro pré-alexandre-frotesco. Aquele que era filmado no tempo em que Lula da Silva era o nome típico dos seus avantajados actores principais.


É de realçar que os pensamentos que partilho convosco agora me estavam todos a passar pela cabeça aquando do genitálico biribambear potencialmente épico que me ocupava na altura.

E foi então que me surgiu na mente (sim, estou deliberadamente a evitar usar o verbo vir) uma célebre frase do Blackadder adaptada: "this is like a broken pencil... pointless". Ora, para aqueles de vós que conhecem o Blackadder, representado pelo Rowan Atkinson (vulgo, Mr. Bean), sabem que não é uma imagem agradável para se ter durante o arrebimbómalho.


Esforcei-me por dirigir os meus pensamentos para outra pessoa que não fosse um bicho, mas depois lembrei-me da Metamorfose do Kafka e do bicho que lá é descrito, o que não ajudou. Depois não consegui parar de pensar no Kafka e no absurdo, então levantei-me e saí janela fora.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nótulas

Ao passar na montra da livraria, não pude deixar de reparar no título de um dos livros que lá estava: Nótulas de DIP.
Pergunto-me se dará para pagar em moédulas.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Inauguração d'O Legislador Ordinário

Passado cerca de um mês desde a criação deste blogue, chega a altura de escrever aqui qualquer coisa. A falta de tempo aliada às falta de vontade e de imaginação que o início do ano lectivo tende a proporcionar têm-nos levado a adiar a inauguração deste maravilhoso espaço cibernético, mas "no more".

Como a falta de imaginação se mantém, deixo-vos com uma pérola de sabedoria de um grande autor. Espero que vos seja útil e olhem... Para a próxima é melhor


If you ever fall off the Sears Tower, just go real limp, because maybe you'll look like a dummy and people will try to catch you because, hey, free dummy.